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Dramaturgia Rural Pelo Mundo

No dia 12 de março os diretores de teatro Weber Carvalho e Ingo Tietze, embarcaram para a África do Sul, com a missão de disseminar o Teatro do Oprimido  – desenvolvido pelos brasileiros que buscam transformar todos em espectadores –  pelo mundo. Na Dramaturgia Rural há uma inversão do método proposto por Augusto Boal, que utiliza na montagem de Teatro Fórum uma história real, na Dramaturgia Rural a história contada é uma lenda ou um mito.

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Um dos objetivos da viagem é descobrir fábulas ou lendas sobre a origem do homem de cada país, que irão visitar, entre os quais: África do Sul, Tanzânia, Tailândia, Camboja, Vietnã, Singapura, Laos, Fiji, Indonésia, Malásia, Nova Zelândia, Chile, Peru, e por fim, Xingu no Brasil para montagem do próximo espetáculo do grupo brasileiro, que fará circulação mundial em 2015.

A preparação para viagem de volta ao mundo ocorreu com uma oficina de Teatro Fórum, na Associação Esportiva Cultural e Ecológica de Sant’ Anna de Parnahyba (ASSECE), sediada no bairro do São Luis, em Santana de Parnaíba e a inauguração do Espaço Dramaturgia Rural, que está localizado na sede da ASSECE . Vale destacar, que o Movimento de Dramaturgia Rural conta com uma segundo núcleo em Uraí, no Paraná.

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Oficina de Teatro Fórum na ASSECE

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Inauguração do Espaço Dramaturgia Rural

O primeiro país a ser visitado foi a África do Sul, onde os diretores foram recebidos na cidade de Cape Tonw por Nikki Froneman, produtora cultural e diretora do Proycto 34. Os viajantes realizaram uma oficina de Teatro Fórum com alunos de teatro da Universidade de Cape Town que  tem Teatro do Oprimido no programa de ensino. Entre os participantes, professores e praticantes do método, que no Brasil caminha para reconhecimento de método revolucionário de teatro,

“É comum questionar praticantes de teatro no Brasil, que não tem conhecimento sobre o Teatro do Oprimido e ignoram o nome de Augusto Boal, algo muito diferente na África do Sul, onde o anúncio da oficina causou enorme procura e interesse entre os estudantes da Universidade. Na oficina estudantes de diferentes nacionalidades discutiram o método de Augusto Boal e conheceram a Dramaturgia Rural”, relatou Weber Carvalho

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Weber e Ingo prestigiaram o festival Zabalaza , no teatro da Universidade de Cape Tonw. A primeira peça  que eles assistiram era The Playroom, que discutia o tratamento de saúde mental, na África do Sul, uma montagem forte e que buscou impactar o público que foi contemplado com uma belíssima atuação. Outro espetáculo foi Memory, que dialogava sobre os aspectos culturais da cultura Bushman, a peça tinha trechos em inglês e africâner – mistura do dialeto africano, holandês e inglês – na peça o grupo formado por, apenas, atores negros abordaram a caça predatória de animais, que hoje estão ameaçados de extinção na África do Sul, o mais conhecido é o elefante, pois os caçadores retiram o marfim.

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The Playroom

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Memory

Dramaturgia Rural

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Para montar uma peça de Teatro Fórum, Augusto Boal utiliza jogos para desmecanizar, técnicas para construção de uma Dramaturgia do Oprimido e assim democratizar o fazer teatral. Utilizando histórias reais e transformando, em um segundo momento, em ficção, pois compõem uma rede de opressão a qual o Teatro do Oprimido tornou- se ferramenta para dialogar e encontrar soluções.

A Dramaturgia Rural caminha pelo mesmo processo, realiza os jogos propostos por Boal e as técnicas do Teatro do Oprimido. Entretanto, ao invés de solicitar ao participante que conte uma história verdadeira, em que o indivíduo viveu uma opressão , é solicitado que o vivente conte uma lenda ou fábula que por ele foi ouvido na infância, e assim contando e recontando de forma oral pelos participantes, até a elaboração final de um roteiro que será atribuído  a dramaturgia.

O objetivo dessa variante é tornar viva as fábulas e histórias de pessoas comuns, estudando suas  causas e revisitando seus preceitos morais, o mesmo poderia ser feito com uma peça de Shakespeare, mas para isso os atores deveriam ler e recontar a história diversas vezes para a criação de novos quadros  e partir disso contextualizar a dramaturgia. Desta forma  identificar e disseminar histórias de culturas que estão a beira do esquecimento, habilitando atores e não atores a reconstruir a identidade cultural do seu povo.

“A Dramaturgia Rural não substitui e não se contrapõe ao Teatro do Oprimido, mas busca de alguma forma contribuir com o Teatro do Oprimido e estimular atores profissionais a utilizar o método como ferramenta na construção de um personagem, criando possibilidades para que esta importante técnica seja estudada e desenvolvida, como dizia Boal. Este não é não pode ser um receituário, portanto o objetivo da Dramaturgia Rural é investigar e buscar a multiplicação do Teatro do Oprimido, utilizando o método e suas montagens, que buscam construir um mosaico, pois através do teatro podemos conhecer melhor o passado o presente e o que nos aguarda no futuro”, concluiu Weber Carvalho.

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